Por acaso você sabe como tem que ser a sua foto do LinkedIn?

A maioria das pessoas escolhe a foto do LinkedIn pelo que gosta. Mas a decisão raramente deveria começar por aí. Talvez exista uma pergunta mais importante que quase ninguém faz.

Luis H. Minaré

6/18/20264 min read

Na imagem: Micaelly César

Por acaso você sabe como tem que ser a sua foto do LinkedIn?

A maioria das pessoas acredita que uma foto para o LinkedIn precisa apenas ser bonita.

Mas existe um problema nessa ideia.

Bonita para quem?

E mais importante: Bonita para comunicar o quê?

Porque uma fotografia profissional não serve apenas para mostrar como você é.
Ela serve para comunicar quem você é.

E essa diferença muda completamente a forma como uma fotografia deve ser construída.

Seu cérebro já decidiu antes de ler seu currículo

Em um estudo clássico, os pesquisadores Alexander Todorov e Janine Willis demonstraram que seres humanos conseguem formar impressões sobre competência, confiabilidade e simpatia em frações de segundo apenas observando um rosto.

Antes de alguém ler seu currículo.
Antes de alguém conhecer sua trajetória.
Antes de alguém ouvir sua voz.
Seu rosto já começou a comunicar.

Isso não é vaidade.
É comportamento humano.

Somos programados para interpretar sinais visuais extremamente rápido.

E a fotografia profissional participa diretamente desse processo.

O maior erro é procurar uma receita de bolo

Existe uma espécie de fotografia corporativa genérica que se espalhou pelo mercado.

Fundo neutro.
Roupa social.
Braços cruzados.
Sorriso padrão.

E pronto.

O desafio é que pessoas não são genéricas.

Um advogado pode ser expansivo.
Outro pode ser extremamente reservado.
Um médico pode transmitir acolhimento.
Outro pode transmitir precisão técnica.
Um empresário pode ser agressivo comercialmente.
Outro pode ser um estrategista silencioso.

Se todos fizerem exatamente a mesma fotografia, algumas dessas imagens inevitavelmente estarão mentindo.

A personalidade precisa aparecer

O sociólogo Erving Goffman dedicou boa parte de sua carreira ao estudo daquilo que chamou de "apresentação do eu".

Em outras palavras:
Todos nós comunicamos quem somos através de sinais que emitimos para o mundo.
A fotografia é uma dessas ferramentas.

Por isso uma boa fotografia profissional não pode ignorar a personalidade da pessoa.
Quando isso acontece, surge uma imagem bonita, mas artificial.

Ela chama atenção.
Mas não gera coerência.

E posicionamento depende justamente de coerência.

A fotografia precisa representar uma versão estratégica da pessoa.

Mas continua precisando ser ela mesma.

O briefing vale mais do que a câmera

Por isso uma boa fotografia começa muito antes do clique.

Ela começa numa conversa.
Antes de escolher a iluminação.
Antes de escolher a lente.
Antes de escolher o cenário.

Precisamos entender:
• Quem é essa pessoa?
Como ela fala?
Como ela ocupa um ambiente?
• Como toma decisões?
• Como se relaciona com outras pessoas?
• Como deseja ser percebida?

Sem essas respostas, a direção fotográfica vira apenas um chute estético.

E estética sozinha raramente resolve problemas de posicionamento.

Nem toda expressão comunica a mesma coisa

Os estudos do psicólogo Paul Ekman ajudaram a demonstrar que expressões faciais carregam mensagens universais interpretadas de maneira muito semelhante por diferentes culturas.

Isso significa que pequenas mudanças produzem leituras completamente diferentes.

Um sorriso aberto pode transmitir proximidade.
Um sorriso discreto pode transmitir confiança.
Uma expressão neutra pode transmitir seriedade.
Um olhar direto pode comunicar segurança.
Um olhar mais contemplativo pode comunicar reflexão.

Nenhuma dessas escolhas é melhor.

A questão é saber qual delas faz sentido para aquela pessoa específica.

A geometria também comunica

Existe um aspecto ainda menos discutido.

A geometria humana.

Cada pessoa possui uma construção visual diferente.

Algumas são mais robustas.
Outras mais esguias.
Algumas possuem traços mais angulares.
Outras possuem traços mais suaves.
Algumas ocupam visualmente muito espaço.
Outras ocupam menos.

A psicologia da percepção demonstra que características faciais e corporais influenciam julgamentos relacionados à autoridade, dominância, competência e confiabilidade.

Isso não significa que exista uma geometria melhor.
Significa apenas que geometrias diferentes comunicam coisas diferentes.

Um fotógrafo experiente entende isso.

Por isso não trabalha apenas com luz.

Trabalha também com linhas.
• Volumes.
• Proporções.
• Ângulos.
• Posicionamento corporal.
• Enquadramento.

Tudo isso altera a mensagem final.

O LinkedIn é um ambiente de percepção

Muitas pessoas enxergam a fotografia do LinkedIn apenas como identificação.

Mas ela funciona muito mais como posicionamento.

Ela é frequentemente o primeiro contato visual que alguém terá com você.

• Antes da reunião.
• Antes da proposta.
• Antes da entrevista.
• Antes da conversa.

E como já sabemos pelos estudos de Todorov e Willis, as primeiras interpretações acontecem quase instantaneamente.

A fotografia passa a funcionar como uma extensão silenciosa da sua comunicação profissional.

Não existe uma foto ideal para o LinkedIn

Talvez essa seja a conclusão mais importante deste artigo.

Não existe uma fotografia ideal.
Existe uma fotografia adequada.

Ela nasce da combinação entre:
• personalidade;
• posicionamento;
• objetivos profissionais;
• expressão;
• geometria corporal;
• linguagem visual;
• contexto profissional.

Quando esses elementos são alinhados, a fotografia deixa de ser apenas uma imagem.

Ela passa a comunicar intenção.

E intenção é uma das matérias-primas do posicionamento.

Conclusão

Uma boa fotografia profissional não é aquela que faz você parecer outra pessoa.

Também não é aquela que copia uma tendência.
Nem aquela que imita alguém bem-sucedido.

Uma boa fotografia profissional é aquela que consegue alinhar três elementos fundamentais:
• Quem você é.
• Como deseja ser percebido.
• E o que seu público precisa enxergar.

Quando isso acontece, a fotografia deixa de ser um retrato.

Ela passa a ser comunicação.

Reflexão para especialistas

Sua fotografia profissional comunica sua personalidade ou apenas reproduz um padrão visual do mercado?

Reflexão para você

Se alguém conhecesse você pessoalmente logo após ver sua fotografia do LinkedIn, encontraria coerência ou encontraria surpresa?

Pense sobre isso.

Referências

WILLIS, J.; TODOROV, A. First Impressions: Making Up Your Mind After a 100-Ms Exposure to a Face. Psychological Science, 2006.

TODOROV, A.; PAKRASHI, M.; OOSTERHOF, N. Evaluating Faces on Trustworthiness After Minimal Time Exposure. Social Cognition, 2009.

GOFFMAN, E. A Representação do Eu na Vida Cotidiana. Petrópolis: Vozes, 1959.

EKMAN, P. Emotions Revealed: Recognizing Faces and Feelings to Improve Communication and Emotional Life. Times Books, 2003.

MEHRABIAN, A. Nonverbal Communication. Aldine-Atherton, 1972.

HALL, J. A.; GATZKEVITCH, M.; HODGINS, S. Gender Differences in Nonverbal Communication Accuracy. Psychological Bulletin, 2011.

NAUMANN, L. P.; VAZIRE, S.; RENTFROW, P. J.; GOSLING, S. D. Personality Judgments Based on Physical Appearance. Journal of Personality and Social Psychology, 2009.

GOSLING, S. D.; GADDIS, S.; VAZIRE, S. Personality Impressions Based on Facebook Profiles. Journal of Personality and Social Psychology, 2007.

Imagem não é vaidade. É presença.