Manifesto - Luis Minaré

Um posicionamento claro contra o raso. Uma defesa da fotografia como prova, presença e conexão real entre pessoas, em um mundo que trocou verdade por aparência.

MANIFESTOS

Luis H. Minaré

5/1/20264 min read

Manifesto - Luis Minaré

Nós viramos uma sociedade de símbolos reduzidos a… ícones, pixels.

Coraçãozinho.
Joinha.
Mãozinha junta.

Simulação de conexão.

“SABOR” conexão.

As pessoas foram treinadas nos últimos 20 anos a gostarem do: sabor.
Elas pensam que querem o sabor da verdade.

E isso é o que está destruindo tudo.

Eu não acredito, veementemente, em conexão digital como substituto da vida real.

Digital é ferramenta.
Não é destino.

Quando usado errado, ele afasta.
Afasta famílias.
Afasta relações.
Afasta o ser humano dele mesmo.

Eu acredito em presença.

Presença exige tempo.
Exige intenção.
Exige verdade.

Antes, as pessoas escreviam cartas.
Visitavam umas às outras.
Entregavam convites na mão.

No Natal escolhíamos um cartão personalizado para aquela pessoa.

Escrevíamos à mão uma frase, uma lembrança, um desejo, uma conexão.

Aquilo criava vínculo.

Hoje, mandam mensagem no Whatsapp.
Frio, distante, impessoal, rápido… Descartável.

E acham que é a mesma coisa.

Não é.

Hoje temos até medo de dar o endereço pra um amigo mandar um cartão.

De onde surgiu esse medo?

Eu te digo: medo vende cura.

Ele foi plantado em você.


A Fotografia de verdade foi achatada nesse processo.

Virou arquivo.

Virou excesso.

Virou descartável.
Adrenalina e dopamina.

E A Fotografia nunca foi isso.

Fotografia é prova.

Prova de que alguém existiu.
Prova de que alguém foi importante.
Prova de que alguém é importante.
Prova de que um momento aconteceu.

Eu trabalho com Fotografia Real.

Fotografia que sai da tela.
Que entra na casa.
Que ocupa espaço.

Que vira quadro.
Que vira álbum.
Porta-retratos.
Que vira memória viva.

Que vira conexão real.

Uma foto impressa é diferente.

Ela te encara.
Ela te lembra.
Ela te ancora.
Tem textura.
Você toca, você sente.

Lembra dos idosos com uma foto na mão?

Eles não passam a mão porque são velhos, ultrapassados.
Eles estão reativando as conexões com aquela pessoa no papel,
com aquele momento feliz da vida deles.
É felicidade imediata.

É serotonina e ocitocina.

Ela é mil vezes mais forte do que qualquer imagem no celular.

Talvez ninguém tenha medido isso.

Mas qualquer pessoa que vive isso sabe.

Eu não quero vender para todo mundo,
Simplesmente porque é impossível fisicamente.

Eu quero vender para quem entende.

Se for um álbum por mês, está ótimo.

Desde que seja para alguém alinhado.

Alinhado com verdade.
Alinhado com presença.
Alinhado com vida real.
Alinhado consigo mesmo!

Com: conexão, valores e vida.

Eu não engano pessoas.

Eu não me adaptei a essa falsidade.

Não vou me adaptar.

Se alguém pergunta se você está bem
e responde com um ícone de coraçãozinho…

Isso não é amizade.

Isso é apenas um protocolo vazio.
Muito vazio.

Quando eu pergunto se alguém está bem
Eu já tenho maturidade de saber que a minha pergunta
é seguida dum movimento real meu para aquela pessoa ficar bem.

Hoje, as pessoas vivem comparando.

Comparam tudo.

Parceiros.
Casas.
Carros.
Vidas.

Nunca foi assim.

Hoje é um bombardeio constante.

E isso gera uma única coisa: insatisfação, ansiedade e depressão.

Nunca a humanidade esteve tão doente.

Tão distante.
Tão desconectada de seus pares.
Do mundo.
De si mesma.

Nós não fomos feitos para isso.

O corpo humano não foi projetado para essa quantidade de informação.

O Arquiteto Pai está observando o que alguns estão fazendo com sua criação.

Olhando o que alguns homens pequenos em humanidade estão fazendo com seus irmãos.

O olho virou porta de entrada de um volume absurdo de estímulos.
E quem faz a curadoria: ninguém.

As plataformas só entregam o que você gosta de consumir.

Não educam. Nada novo. Só a afirmação de que sabemos das coisas.

Porque elas nos querem presos a elas.

Responda com sinceridade: você domina o seu celular ou ele te domina?

Você está aí sozinho - responda pra si mesmo.

Não há ninguém pra te julgar.

Nós consumimos uma quantidade milhares de vezes superior aos nossos antepassados,
com a mesma unidade física: nosso corpo é o mesmo.

Nosso cérebro é o mesmo.

Isso gera confusão.

Gera ansiedade.

Gera desconexão.

“Nós somos o que comemos”

Essa frase é de Hipócrates, considerado o "pai da medicina", na Grécia Antiga, há mais de 2.500 anos.

Já pensou no que comemos?
Não é só comida, é tudo que nos alimenta.

O que você põe na boca alimenta seu corpo, sua matéria.

O que você toca ou que toca você alimenta mecanismos no seu corpo.
Lembra da idosa?

O que escuta ativa coisas boas ou ruins.

O aroma que chega em você te traz sensações:cheiro de casa de vó, doce de tia.

E os olhos?

“Os olhos são a janela da alma”.

Quem disse: Leonardo da Vinci, Cícero ou Edgar Allan Poe?

Mateus: "os olhos são a lâmpada do corpo" (Mateus 6:22)


O que você vê constrói ou destrói seu mundo. Sua Anima, sua Alma.

Existe um sistema por trás disso.

Quanto mais você olha, mais consome.
Quanto mais consome, mais se compara.
Quanto mais se compara, mais se sente insuficiente.

E continua.

Rolando, deslizando, clicando, desgastando, degradando, desorientando e destruindo.

Escravizando.

Escravizando nossos filhos.

Eu não faço parte disso.

Meu trabalho é o oposto.

Meu trabalho é trazer a pessoa de volta.

De volta para o real.
De volta para o que importa.
De volta para quem ela é.

Fotografia não é conteúdo. Fotografia é encontro.

Entre pessoas.
Entre histórias.
Entre versões de si mesmo.

Entre projeções do seu melhor.

Um bom Fotógrafo não tira foto. Ele Faz foto.

Ele revela presença.

E isso é prova da excelência humana.

Num mundo que aceita qualquer coisa rápida,
qualquer coisa rasa,
qualquer coisa descartável.

Se o mundo foi longe demais no digital…

A gente volta.

No xadrez, nem todo movimento é para frente.

Às vezes, voltar é o que salva o jogo.

Voltar não é retrocesso.

Voltar é estratégia.

O objetivo é manter o Rei de pé.

Nós devemos ser o Rei dos nossos tabuleiros.

Até os países mais desenvolvidos já perceberam isso
e estão voltando ao básico…

A Finlândia recuou na digitalização excessiva nas escolas após notar queda no desempenho (PISA) e na atenção dos alunos.

O país passou a restringir o uso de telas e celulares nos NOVE anos iniciais, valorizando o retorno ao papel, escrita à mão e leitura física, buscando equilibrar tecnologia com pedagogia tradicional para melhorar o foco

Talvez o erro não seja voltar.

Talvez o erro seja insistir no que não funciona.

Eu escolho o real.

Mesmo que seja mais lento.
Mesmo que seja mais difícil.
Mesmo que seja para poucos.
Mesmo que seja contrário à manada.

Porque no fim…

Não é sobre quantidade.

É sobre verdade.

Conexão.